Cultivo consorciado de milho e soja

O cultivo consorciado de plantas é uma técnica que permite ao produtor rural otimizar a utilização de suas áreas, proporcionando melhor aproveitamento dos recursos hídricos, da luz solar e dos nutrientes presentes no solo. No Brasil, um sistema de consórcio de plantas consolidado, é o cultivo consorciado de milho + braquiária. Este sistema de cultivo, confere para o produtor rural, a produção de grãos, gerando receitas para a propriedade, e simultaneamente, produção de biomassa proveniente da braquiária, a qual pode ser utilizada tanto para a cobertura do solo, como também na alimentação animal.

Já o cultivo de milho e soja em consórcio, é um sistema que não é empregado nas lavouras agrícolas atualmente. Apesar de parecer algo inédito para muitos, o cultivo consorciado de milho e soja, já foi utilizado em lavouras brasileiras nas décadas de 70 e 80, e estudos de literatura deste período, já demonstravam benefícios com a utilização deste sistema de produção. Entretanto, estas mesmas pesquisas, relatam que o sistema necessitava de maior quantidade de mão de obra, em comparação ao cultivo das culturas em monocultura, e que os produtores encontravam muitas dificuldades no manejo e controle de plantas daninhas no sistema consorciado de milho e soja.

Figura 01. Desenvolvimento inicial de plantas de milho e soja em consórcio. Foto: Vanderson Vieira Batista

Porém, a agricultura brasileira passou por uma grande transformação em relação a década de 70/80 e os dias atuais. Atualmente, o produtor encontra no mercado uma grande variedade de sementes híbridas, com cultivares de soja e híbridos de milho de diferentes ciclos, e sobre tudo, com disponibilidade da tecnologia Roundup Ready® (RR) e Enlist™, facilitando assim, o manejo e controle de plantas daninhas em lavouras consorciadas de milho e soja, e talvez, viabilizando a sua implantação.

Sobre os benefícios, proporcionados pelo sistema de cultivo consorciado de milho e soja destaca-se:

- Aproveitamento dos recursos naturais: em sistemas de consórcio ocorre um melhor aproveitamento da luz solar e dos recursos hídricos, devido a maior ocupação do solo proporcionado pelo sistema.

- Menor incidência de plantas daninhas: pelo fato de incidir menor quantidade de luz solar sobre o solo, ocorre redução de emergência e estabelecimento de plantas daninhas em área de cultivo de milho e soja em consórcio, em comparação com áreas de cultivo de milho em monocultura.

Figura 02. Lavoura com cultivo consorciado de milho e soja - 90 cm entre linhas de milho com uma linha de soja na entrelinha. Foto: Vanderson Vieira Batista

Figura 03. Palnta daninhas em lavoura com cultivo de milho em monocultivo - 90 cm entre linhas. Foto: Vanderson Vieira Batista

- Silagem com maior teor de proteína bruta: estudos de dois anos conduzidos na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Dois Vizinhos, demonstram que a silagem proveniente do áreas de cultivo consorciado de milho e soja, apresentam valores de proteína bruta superiores a silagem proveniente de áreas com cultivo exclusivo de milho. Além disso, o sistema de consórcio proporciona maior produtividade de proteína bruta por unidade de área.

Figura 04. Milho em ponto silagem cultivado em consórcio com soja. Foto: Vanderson Vieira Batista

- Produtividade de biomassa para silagem: no sistema de consórcio milho e soja ocorre produtividade de biomassa verde e seca, do milho semelhante ao cultivo de milho em monocultura, demostrando não haver competição entre as culturas para esta finalidade.

 

Quanto aos pontos negativos do sistema de cultivo consorciado de milho e soja, destacam-se:

- Adaptação de equipamentos agrícolas (semeadeira): para implantação do sistema são necessários ajustes na semeadeira (distância entre linhas) e não é possível a realização de regulagem de densidade de semeadura e taxa de adubação em sulco desejada, para ambas as culturas simultaneamente.

Figura 05. Implantação de lavoura com cultivo consorciado de milho e soja. Foto: Vanderson Vieira Batista

- Colheita para silagem: recomenda-se a colheita da planta de milho para silagem com aproximadamente 30 cm de altura, já para a soja, seria indicada a colheita da planta inteira (menor altura de corte possível). Neste sentido, não se tem disponível um equipamento que consiga colher as culturas em diferentes alturas de corte simultaneamente.

- Conhecimento de materiais e arranjo de linhas a ser utilizado: Para o consórcio necessita-se a utilização de cultivares de soja com maior adaptabilidade ao sistema, ou seja, visto que a cultura será suprimida pelo sombreamento do milho, deve-se utilizar cultivares com maior rusticidade. Também, deve-se ter cuidados com o arranjo de plantas/linhas utilizado, pois é fundamental que a leguminosa consiga se desenvolver no sistema.

- Redução de produtividade de grãos (milho): pode ocorrer redução do rendimento de grãos da cultura do milho, em função do arranjo de plantas/linhas utilizado no sistema.

Figura 06. Milho em ponto de colheita de grãos em lavoura com cultivo consorciado de milho e soja - 90 cm entre linhas de milho com uma linha de soja na entrelinha. Foto: Vanderson Vieira Batista

Caso tenha gostado desta matéria, fique atento ao nosso site que logo estaremos publicando mais matérias sobre o tema (Milho e soja em consórcio para produção de silagem e grãos, arranjo de plantas/linhas no sistema de consórcio milho e soja, escolha dos materiais a ser utilizado no cultivo de milho e soja em consórcio,  qualidade de silagem proveniente do sistema de consórcio milho e soja).

 
 
Colunistas

Vanderson Vieira Batista

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) - Campus Dois Vizinhos (2011-2016). Trabalho de conclusão de curso titulado de: Densidade de plantas e doses de nitrogênio no cultivo de milho safrinha em Dois Vizinhos - PR. Mestre em Agroecossistemas, graduado pelo Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas...