A busca pelo alto teto produtivo

Como produtor à mais de 10 anos juntamente com meu pai na cidade de Pranchita-PR, pude perceber que não basta só adquirir novas tecnologias para alcançar grande produtividade. Temos que cuidar e ter o planejamento desde cedo, antes mesmo de analisar qual cultura plantar. Como está a situação do meu solo que irá receber essa semente? Usar uma semeadora que proporciona um plantio de qualidade e, acima de tudo ter o capricho em todas as etapas. O que fazemos antes do plantio pode  resultar em grande potencial econômico.

Quando começamos a semeadura já em época recomendada, com umidade de solo adequada, temos que ter um cuidado sobre população/densidade estabelecida pelo fabricante, cuidar para não exagerar/extrapolar, pois as sementes estão vindo com valores de grande custo devido a alta tecnologia embarcada.

Adotar boas práticas de manejo, associadas a boas práticas de semeadura e boa adubação, resultará em maior produtividade, e maior produtividade nem sempre está associada a maiores custos de investimento.

Foto: Fábio Giongo, 2019

Outro grande gargalo da produção se baseia no manejo de solo, todos nós temos áreas “manchadas” na propriedade que limita a produtividade devido a tipos de solo, pela falta de correção ou muitas vezes solo descoberto mesmo, solo nu, susceptível a erosão podendo ser laminar ou até em casos severos, voçorocas (valetas). Temos que ter a conscientização em manter o nosso solo sempre coberto, se possível o ano todo, obtendo teores de massa consideráveis no modelo de plantio direto e melhorando a vida biológica do solo (microbiota). 

Existe hoje o mix, ou coquetel de plantas de cobertura que vem crescendo no mercado e sendo adotado cada vez mais pelos produtores. Esse mix tem uma grande diversidade de plantas contribuindo para manutenção do nosso solo, sendo consorciados leguminosas (magnoliopsidas) e gramíneas (liliopsidas). Método de grande importância também no controle de plantas invasoras que causam problemas severos, atualmente o caso do Capim Amargoso (Digitaria insularis) e da Buva (Conyza bonariensis). Essas invasoras estão dando uma grande dor de cabeça aos agricultores, pois estão tendo que adquirir métodos de controle de alto custo, tanto químico como mecânico.

Portanto, temos que ir se adaptando, assim como as plantas. Adotar boas práticas para manutenção, garantindo a sobrevivência, buscando sempre informações e aprimorando conhecimentos, assim alcançarmos objetivos, resultados e metas que irão refletir no alto teto produtivo. Tenha capricho em tudo, pois é essencial. É muito comum ouvir por aí que tal produtor está a beira da falência, então entenda: Nenhum recurso natural é infinito e se você pensar apenas em produzir, sem adotar técnicas de manejo que valorizem sua propriedade, você será o "tal produtor" citado acima.

“Insista, persista e nunca desista, todo esforço tem sua recompensa”.

 
 
Colunistas

Fábio Giongo

Técnico Agropecuário formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Produtor rural por mais de 10 anos. Acadêmico de Agronomia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Atualmente fazendo parte na área de pesquisas no controle biológico de doenças e indução de resistência em plantas.